As histórias de fantasmas da Roma Antiga: Do terror clássico ao absurdo

Sombras do Império: O Sobrenatural na Roma Antiga

Sombras do Império

As histórias de fantasmas da Roma Antiga: Do terror clássico ao absurdo

Ruínas do Coliseu à noite

As noites nas antigas cidades romanas eram povoadas por crenças em espíritos inquietos.

Para os antigos romanos, a fronteira entre o mundo dos vivos e o dos mortos era permeável. Não se tratava apenas de superstição folclórica, mas de uma realidade vivida que influenciava leis, arquitetura e rituais domésticos. De acordo com relatos históricos e literários, como os compilados pela National Geographic, as histórias de fantasmas variavam entre o terror psicológico profundo e situações beirando o absurdo.

O Fantasma de Atenas: O Relato de Plínio

Um dos relatos mais famosos vem de Plínio, o Jovem. Ele descreve uma casa em Atenas que era assombrada por um velho magro e pálido, com barbas longas e cabelos desgrenhados, que sacudia correntes nos pulsos e tornozelos. O barulho era tão aterrorizante que ninguém conseguia dormir, e quem tentava acabava morrendo de medo.

O filósofo Atenodoro decidiu alugar a casa, sabendo da fama. Enquanto escrevia à noite, o espectro apareceu. Em vez de fugir, o filósofo continuou seu trabalho até que o fantasma o chamou. Ele seguiu a entidade até o pátio, onde ela desapareceu. No dia seguinte, cavaram o local e encontraram um esqueleto acorrentado. Após um sepultamento digno, a assombração cessou.

Estátua romana sombria

A correta execução dos ritos fúnebres era a única garantia de que o morto não retornaria como um Lemure.

Lemures e Lares: A Hierarquia dos Mortos

Na cosmologia romana, nem todo espírito era igual. Os Lares eram espíritos ancestrais benevolentes que protegiam a casa. Por outro lado, os Lemures (ou Larvae) eram as almas daqueles que tiveram mortes violentas ou não receberam ritos fúnebres adequados. Eles retornavam para atormentar os vivos.

Para acalmar esses espíritos, os romanos celebravam a Lemuria em maio. O chefe da família caminhava descalço pela casa à meia-noite, cuspindo feijões pretos e recitando nove vezes: "Com estes feijões eu me redimo e aos meus". Acreditava-se que os fantasmas colheriam os feijões e deixariam a família em paz.

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O Absurdo: Estátuas que Caminham e Mentiras

Nem todos os relatos eram de terror puro. Luciano de Samósata, em sua obra Philopseudes (O Amante da Mentira), zombava da credulidade de seus contemporâneos. Ele descreve histórias onde estátuas de bronze ganhavam vida à noite para tomar banho ou andar pela casa, e espíritos que eram "expulsos" por encantamentos egípcios em tons cômicos.

"A morte não era o fim, mas uma mudança de estado que exigia manutenção constante através da memória e do ritual."

Esses relatos mostram que o medo do invisível era uma ferramenta poderosa de controle social e moral. Casas "mal-assombradas" muitas vezes serviam como metáforas para crimes não punidos ou injustiças sociais que a burocracia romana não conseguia resolver.

Catacumbas antigas

As catacumbas e necrópoles ficavam fora dos muros da cidade para manter os mortos em seu devido lugar.

Referências e Fontes Consultadas

  • National Geographic Brasil: As histórias de fantasmas da Roma Antiga
  • Plínio, o Jovem: Epistulae, Livro VII, 27 (Carta a Sura).
  • Luciano de Samósata: Philopseudes (O Amante da Mentira).
  • Ogden, Daniel: Magic, Witchcraft, and Ghosts in the Greek and Roman Worlds (Oxford University Press).
  • World History Encyclopedia: Ghost Stories of Ancient Rome.

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